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COLETIVA DE IMPRENSA COM DOM SÉRGIO APARECIDO COLOMBO - BISPO DA DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

COLETIVA DE IMPRENSA COM DOM SÉRGIO APARECIDO COLOMBO - BISPO DA DIOCESE DE BRAGANÇA PAULISTA

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade. Cultivar a oração, amor e a solidariedade.

Irmãos e Irmãs!

A Igreja inicia o Ciclo Pascal que tem o Tríduo Pascal como centro,
a Q
uaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento.
C
om a Campanha da Fraternidade (CF) este ano em continuação ao tema
do a
no passado - \"Casa comum, nossa responsabilidade\", a Quaresma
torna
-se um tempo propício para criar a cultura da fraternidade, apontando
os ca
minhos para superar as situões de morte que envolvem o ser
humano e o universo todo, resgatando o cuidado e a admiração como parte
integrante da vida em suas múltiplas direções.

Ela nos convida ainda a um tempo de deserto, para a luz do Espírito
faze
r a experiência da graça, na sobriedade e no despojamento, iluminada
pe
la esperança que não decepciona. Retoma, como determina o objetivo da
Campanha da Fraternidade de 2017, o \"cuidar da criação, de modo especial
dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover as relações fraternas com
a vida e a cultura dos povos à luz do Evangelho.

Pode ser que alguém pense ser estranha tal proposta ou o que isso
t
em a ver com a Quaresma. Sintonizados com o texto base, perguntamos:
co
mo é que alguém pode celebrar a Páscoa, ou os sacramentos que o
in
serem no mistério de Cristo, alheio à vida da criação na qual está
m
ergulhado e que o sustenta? (Texto Base - TB, n° 21).

Com a Campanha da Fraternidade, retomamos a proposta de
\"
cultivar e guardar a criação\" (Gn 2, 15), obra querida por Deus,
harmonicamente organizada e amada por ele, onde nenhum ser existe
isoladamente, mas todos estão relacionados como parte de um plano no
qu
al, de certa forma, uns dependem dos outros, e o homem possui o papel
de ser o guardião desta obra criada.

Se a criação é obra de Deus, pertence a ele e o homem, como sua
imagem e semelhança, recebeu a vocação de zelar e proteger todos os seres
que dela fa
zem parte.

A reflexão deste ano chama atenção para os biomas brasileiros. \"Um
bior
na é um conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo
agr
upamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala
regional com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de
mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria\" (TB, n\'\' 4).
Bioma é uma expressão que vem de \"bio\", que em grego quer dizer \"vida\",
e \"orna\", sufixo também grego que significa \"massa\", grupo ou estrutura de
v
ida.

Os biomas brasileiros apresentados pela CF são seis:

Bioma Amazônia: é o nosso maior bioma, caracterizado pela exuberância
das florestas e das águas; Bioma Caatinga: é caracterizado pelo semiárido,
entre a estreita faixa da mata atlântica e o cerrado com a convivência do
peodo chuvoso e da seca; Bioma Cerrado: é o mais antigo, com uma
veg
etação típica de locais com estações climáticas bem definidas (uma
época bem chuvosa e outra seca). Com o bioma Amazônia forma uma
co
mplementação perfeita para a produção e distribuição de água para o
Brasil e parte da América do Sul; Bioma Mata Atlântica: bioma onde
estamos inseridos, originalmente denso, extenso e rico de variedade animal
e vegetal, além de campos de altitudes, mangues e restingas, apresentando
grande poder de regeneração; Bioma Pantanal: uma das maiores
extensões úmidas e contínuas do planeta, sendo o menor bioma em
exteno territorial, entretanto esse dado em nada desmerece a riqueza e a
b
eleza de sua biodiversidade - considerado reserva biosfera e patrimônio
n
atural mundial pela Unesco; Bioma Pampa: termo de origem indígena
para região plana, sua característica principal é a vegetação que apresenta
u
ma composição herbácea, ou seja, formada basicamente por gramineas e
es
cies vegetais de pequeno porte, não ultrapassando 50 centímetros de
altura.

Os biomas mostram a unidade entre os diversos elementos da
natureza que precisam ser cultivados e conservados o que implica que a
v
ida em todos os seus aspectos seja exuberante.

A CF está em plena consonância com a Encíclica \"Laudato Si\" do
Pap
a Francisco que ressalta a \"importância da consciência de que na
c
riação tudo está interligado e sobre a necessidade imperativa de cultivar
esses vínculos\".

Quanto aos temas abordados pelo ensino social da Igreja, o da
ECOLOG
IA está suficientemente consolidado (TB, n° 245). O que
p
odemos fazer? Acompanhar o plano diretor dos municípios em relação ao
saneamento básico, o que implica saúde e qualidade de vida para todos;
es
tar atento as áreas de preservação permanente denunciando projetos
imobiliários que as ameaçam; zelar pelas nascentes e rios - que eles não
sejam depósitos de lixo; nas escolas, paróquias e comunidades com suas
pastorais e movimentos, cultivar a dimensão do cuidado, entre outros ... , o
qu
e não é algo secundário, mas essencial.

Ensina-nos ainda o Papa que \"o tempo para encontrar soluções
g
lobais está acabando. Só podemos encontrar soluções adequadas se
agirmos juntos e de comum acordo. Portanto, existe um claro, definitivo e
improrrogável imperativo ético de agir\" (1\'8, n\" 258).

Que a Igreja nesta Quaresma nos ajude a ver que tudo que Deus fez é
muito bom.

+ rgio
Bispo Diocesano

 

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